Arquivo de 28 de Maio de 2009

COMO TERMINAR UM SHOW

Sem comentários »

LIMITE

Toda vez que tô no interior e digo pra alguém, assim, só meio conhecido, que tenho uma banda de rock, não é raro ouvir sugestões bizarras, como a de se apresentar “no quadro do Faustão pra novos artistas” ou coisa que o valha. Isso me remete à pergunta clássica: o que você não faria de jeito nenhum, mesmo que isso pudesse te ajudar de alguma forma?

Não tô falando de fazer sacanagem, deixa isso pra lá. O caso aqui é desses que aparecem na sua frente e você consegue julgar fácil se o envolvido é o OUTRO que topa uma aventura em terreno com iluminação global e o pastiche a quatro. “Isso não faço de jeito nenhum!”. “Que vergonha alheia!”.

É claro que o exemplo do Faustão é meio extremo, que rejeitar publicamente algumas coisas também é cálculo de marketing, mas vamos em frente.

Outro dia pensei no que já fiz pra subir num palco. Em Presidente Venceslau, dos 11 aos 15 anos, toquei com minhas bandas da época, o Little Devious e o Esfinge, em jantar de fim de ano dos funcionários do Banco do Brasil, na carroceria de caminhão promocional da loja de eletrodomésticos, em pizzaria, em churrasco de estranhos e o cacete.

Uma vez chamaram a gente pra tocar na Bandeirantes lá da região, em Presidente Prudente. Nesse dia da TV, o Roupa Nova também ia participar do programa. A produção combinou uma aparição do Little Devious no último bloco ao lado dos carecas. Mas um pouquinho antes da entrada eu avisei que não queria mais. Emburrei num canto e disse quem nem adiantava o apresentador chamar. Afinal, pensei convicto naquela hora, eu estava vestindo uma camiseta dos Ramones.

Teve uma outra vez que disse “nem vem”. Foi pro baixista da minha ex-banda de nome péssimo, o Esfinge. Ele queria porque queria que a gente tocasse na missa de domingo da Igreja que ele freqüentava. Tentei argumentar que “Smells like Teen Spirit” não tinha a ver com o Espírito Santo, mas ele bateu o pé. “Isso não faço de jeito nenhum!”, repeti. A banda acabou ali.

Lembrar disso é só engraçado. Acho que hoje sou mais “vamo aí”. Só não abro mão da camiseta dos Ramones.

2 comentários »

CORAÇÃO SURDO

Se alguém me der prazer vai ser muito bem-vindo
Falo isso no ouvido, quase grito sem perceber
No quarto eu ouço um ruído acordado
Quando viro de lado, imagino o que não posso ser

Ok, você não vê nada de errado
Eu escuto calado, sem responder
Talvez se olhasse melhor no espelho
Descartava os conselhos e ia viver

Atrás do rosto cansado é só medo
De abrir mão muito cedo da estrada em que escolhi andar
No fim mesmo cego e de coração surdo
Me distraio um segundo, e o ar me obriga a respirar

Ouça AQUI

Sem comentários »

COMO COMEÇAR UM SHOW

1 comentário »