Arquivo de Junho de 2009
PORTNOYA
O Brita, grande amigo, pegou o disco do PORTNOY, bateu no liquidificador e criou uma música nova. Vai aí a PORTNOYA
Sem comentários »HISTÓRIA SEM FIM
A morte de Michael Jackson tá pra música pop mais ou menos como a queda do Muro de Berlim tá pra geopolítica. São fatos simbólicos que obrigam as pessoas a pensar diferente.
O político que ainda raciocina a partir da lógica binária capitalismo X comunismo não tem futuro. O mesmo vale pros que lidam com música e ainda acreditam no pop monárquico, com rei, rainha, a corte e seus milhões de discos vendidos.
CAETANO ESTATAL
A primeira notícia foi: “MINISTÉRIO DA CULTURA VETA VERBA A CAETANO - Comissão que analisa projetos aspirantes ao benefício da Lei Rouanet diz que turnê do cantor, no valor de R$ 2 milhões, não precisa de incentivo; ministro deve derrubar decisão”.
A segunda foi uma entrevista de Juca Ferreira justificando a eventual liberação da grana, ops!, do incentivo pro Caetano. “Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação para irmã Dulce ou para Madre Teresa de Calcutá”, disse o bravo ministro.
As notícias acima saíram na semana passada. A Lei Rouanet, segundo o site do MinC, se propõe a “estimular a produção, a distribuição e o acesso aos produtos culturais”, incluído aí os “espetáculos musicais”, a “proteger e conservar o patrimônio histórico e artístico” e a “estimular a difusão da cultura brasileira e a diversidade regional e étnico-cultural”.
A grosso modo, o mecanismo permite que empresas escolham projetos culturais de seu interesse e coloquem ali o dinheiro que devem ao Estado em impostos. Ou seja, o meu, o seu, o nosso dinheiro. Como existe uma burocracia danada pra enquadrar um projeto na tal lei, os artistas com uma boa assessoria acabam levando vantagem sobre aqueles que não têm Floras e Paulas a serviço.
O resultado é que metade da verba captada vai para as mãos de 3% de beneficiados, a maioria deles das regiões Sul e Sudeste do país. Fica claro que parte do ínfimo orçamento da Cultura no Brasil é usada de acordo com interesses das empresas “patrocinadoras”. Em resumo, o Estado, que serve pra diminuir desigualdades, acaba aprofundando essas desigualdades e, pior, abre mão de promover uma política cultural, qualquer que seja. Há quem ache tudo isso muito justo, ok.
A Lei Rouanet está prestes a mudar. O Ministério da Cultura prepara um novo texto com duas alterações importantes. A primeira estabelece a quebra do direito autoral, a partir de um certo tempo, da obra beneficiada pela grana estatal. Ótimo. A segunda cria uma comissão com representantes de artistas, da sociedade e do governo para avaliar qual obra ou projeto receberá a grana. É aí que o bicho pega.
Alguns artistas acham que deixar a decisão de quem merece ou não a verba estatal na mão de um grupo de pessoas é mais ou menos como reeditar a censura. Já há uma comissão, essa aí que vetou a verba pro Caetano, mas ela é bem mais frouxa e não dá a palavra final, que é do ministro.
Fiquei imaginando a nova comissão discutindo se a turnê do Caetano, do CD recém-lançado “Zii e Zie”, merece ou não dinheiro do Estado. Vai aí uma provocaçãozinha pueril. Nossos personagens são o RG (representante do governo), o RS (representante da sociedade) e o RA (representante dos artistas):
RG: Vamos começar?
RS: O RA ainda não chegou…
RG: Acho que ele não vai ligar se a gente adiantar algumas coisas. Bem, “Zii e Zie’ é o nome do disco que o Caetano Veloso vai divulgar em turnê.
RS: Nome estranho…
RG: É italiano, se não me engano. Significa “tio e tia”. De cara, já acho um claro atentado à identidade nacional. Além disso, é elitista.
RS: Me parece meio educativo. Pelo menos pra mim: agora posso fazer média com meu tio-avô, o tio Totti, quando eu for visitá-lo na Mooca.
RG: Bem observado. Vamos exigir um asterisco com a tradução nos cartazes do show…
RS: Sei não…
RA: Boa tarde, gente, desculpe o atraso. Não é fácil achar um elevador vazio que suba direto até o último andar desta torre…
RG: A pergunta, meu caro, é a seguinte: você daria dois paus pro Caetano fazer shows pelo Brasil?
RA: Por que não? Esse cara é uma das bases da cultura nacional contemporânea!
RS: Mas o preço pra população não é meio alto demais? Meu tio Totti, que diz preferir dez vezes mais o Chico mas respeita as reboladas do Caetano, me falou que desistiu de ir ver o show porque o ingresso em um lugar bem meia-boca sai quase por cem mangos.
RA: Você tá sugerindo o quê? Que pra receber essa merreca do Estado vamos ter de criar cotas populares? Uma Bolsa-Caetano? Só me faltava essa! Quem é você pra estabelecer o valor de acesso a uma obra artística?
RS: Mas definir o preço do “acesso” não é a mesma coisa que definir o valor da obra…
RA: Que ultraje! Não diga besteira, meu rapaz…
RG: Olha, RA, vê se não vai me acabar de novo com a reunião gritando “censura”!
RA: Censura! Isso mesmo. Falou a palavra certa: é cen-su-ra!
RS: Mas o que é que tem a ver…
RG: Chega! Além do mais, já é horário de almoço. Vamos logo porque tô morto de fome e demora quase uma vida pra que esse maldito elevador chegue aqui em cima…
2 comentários »TEORIA DA EVOLUÇÃO
Parece piada, mas o cara que tá me convencendo a criar perfis do PORTNOY no Facebook, no Orkut, no Twitter e em tudo o que é rede de relacionamentos se chama Darwin (Ribeiro)!
2 comentários »ARGUMENTO
Basta gritar truco
Pra que o rato
Corra da sala*
*Peu Sousa só precisou aprender isso, além dos valores das cartas, pra virar um excelente parceiro de trucada
Sem comentários »BOTA PRETA
Cacos de vidro eu trituro sem dó
Pobres baratas que ficam pra trás
Barro eu esmago, madeira faz som
Frio que não gela, graxa me refaz
Eu levo embora
Grudado na minha sola
Sujeira do chão
Pêlos do tapete
Passos me enchem de ilusão
No canto eu descanso em paz pela manhã
Já que de noite o caminho é sem fim
Até dá pena de quem me encontrar
Disposta a chutar, a chutar, a chutar
Ouça AQUI
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