A TECNOLOGIA FORMATA, O MÚSICO FAZ, NESSA ORDEM
No princípio era a bolacha, e nela não cabia uma música superior a dois ou três minutos, e esse tempo era a régua da música gravada. Fizeram-se hits, únicos, embalados numa ideia de três minutos com começo, meio e fim.
Veio o LP, e era preciso ocupar o espaço, não só juntando singles em sequência. Muito prazer, álbum-cheio-de-conceito. A ideia passou a ter mais de meia hora e dois atos.
Ontem ou anteontem, o CD uniu lado A e lado B, e uma nova lógica surgiu, mais longa e contínua.
MP3, aqui está você. Espaço pra ideia não falta, mas quem tem tempo? Na democracia quantitativa do iPod cabe tudo. Raro é ver três ou mais coisas rápidas da mesma boca.
Com tanto a descobrir, há quem ouça só refrãos. Não demora e a ideia, com começo, meio e fim, não vai passar de 30 segundos.
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5 respostas para “ A TECNOLOGIA FORMATA, O MÚSICO FAZ, NESSA ORDEM ”
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a impaciência é uma tecla fwd no ipod.
muito bom, conradovski!
adorei, conrado!
Deram a esses o nome de geração Y , né? Depois dos boomers ,nascidos entre o pós 2º guerra e os anos 60 , a geração X , dos nascidos entre os 60 e 77 , pós 77 vieram esses tais Y , de Yeppies ( Young Experimental Perfection Seekers ) , um update dos datados Yuppies (Young Urban Professionals ) . A romantizada impaciência dos Y , na minha opinião é só um cacoete , de tanto apertar joystick . Aliás poderia serem chamado de jovens promotores da ignorância , com boa dose de arrogância e ausência de vontade própria , permitindo-se somente serem hospedeiros da grande avalanche de consumo . Isso que achamos que consumimos enquanto somos consumidos . Geração Z está chegando . Z de Zumbi . De mortos vivos reproduzindo conceitos enxertados a facão (sem saber de onde esse conceito veio e quando esse conceito fala por suas bocas ) e apertando botões de pra frente , pra traz , pro lado , chacoalha , balança , semelhante a piada da loira que chacoalha a cabeça pra pegar no tranco .
Legal sua reflexão Conrado. Continuo seus passos e digo que hoje a tecnologia já permite lançarmos histórias apenas com inícios, meios ou finais. Deixando a cargo das reapropriações motivarem ou não a continuidade. Estamos na era do micro, do nano, do mini, do “encurtamento” de tudo. E quer saber? Acho isso fantástico! O que antes era rascunho, descartável ou lixo é linguagem hoje.
Tente imaginar as possibilidades da produção de mentes brilhantes do passado no cenário atual. Um Da Vinci da vida compartilhando seus começos de idéias na web…
Entrando no gancho do post crítico-conceitual do amigo Peu, vivemos a “snack culture”. Podemos petiscar diversar histórias e então decidir se continuamos em frente. Há uma metáfora que traduz esse “petisco cultural” na visão de uma pequena ilha no horizonte. Antes, conseguíamos visualizar apenas a porção acima d’água, mas hoje a evolução da técnica nos permite reconhecer que aquela ilhota na verdade é um iceberg com quilômetros de extensão.
É possível uma formiga comer um elefante? De uma vez não, mas em micro, nano ou mini pedaços sim!
Peu, acho que é comum a todas as gerações a teoria do “1% mover o mundo”, certo? A diferença é que 1% da geração “baby boomers e X” era facilmente castrada pela ditadura ou pela TV. Se 1% da geração atual apertar uma tecla com os dedos de joystick sentados em frente a um computador, pode exigir explicações de países inteiros.
A TECNOLOGIA FORMATA, O MÚSICO FAZ, NESSA ORDEM.
E se for bom, as pessoas ouvem, compram, emprestam, gravam ou,
simplesmente e atualmente, baixam e põem no iPod.
Acho que o grande diferencial hoje é a qualidade, não importa o formato.
Concordando com o Darwin e o Peu, a formiga come o elefante, sim,
seja ela Yeppie, Yuppie ou Zumbi.
Valeu, Conrad! Parabéns.
Abração.