SEQUESTRO
Meu amor adora mentir
Coisa banal pra eu me importar
Meu amor adora mentir
Tanto que cansa
Meu amor diz sempre que sim
Faz tudo pra me agradar
Meu amor diz sempre que sim
Tanto que cansa
Amarro as cordas
Com carinho
Morro de culpa por te deixar
Em casa sozinha
Ouça AQUI
Sem comentários »JULIA
Julia, teu olhar me fura
Parte o meu coração
Solta as minhas loucuras
Santa nesse mundo cão
Ouça AQUI*
*Primeira que gravei tocando piano (pra dizer a verdade, martelando o bicho… qualquer hora aprendo a tocar)
Sem comentários »A TECNOLOGIA FORMATA, O MÚSICO FAZ, NESSA ORDEM
No princípio era a bolacha, e nela não cabia uma música superior a dois ou três minutos, e esse tempo era a régua da música gravada. Fizeram-se hits, únicos, embalados numa ideia de três minutos com começo, meio e fim.
Veio o LP, e era preciso ocupar o espaço, não só juntando singles em sequência. Muito prazer, álbum-cheio-de-conceito. A ideia passou a ter mais de meia hora e dois atos.
Ontem ou anteontem, o CD uniu lado A e lado B, e uma nova lógica surgiu, mais longa e contínua.
MP3, aqui está você. Espaço pra ideia não falta, mas quem tem tempo? Na democracia quantitativa do iPod cabe tudo. Raro é ver três ou mais coisas rápidas da mesma boca.
Com tanto a descobrir, há quem ouça só refrãos. Não demora e a ideia, com começo, meio e fim, não vai passar de 30 segundos.
5 comentários »NOSSO AMOR É UMA BOMBA
No vídeo aí embaixo o Caio, do Dollar Furado (e meu irmão), canta “Nosso Amor É Uma Bomba (Quando O Mundo Ainda Não Era Dinheiro)”. O nome que ele escolheu é tão grande quanto a música que ele fez. Gravei aqui em casa, com uma camerazinha digital. Lá vai:
O PORTNOY está no Twitter, pra quem quiser acompanhar a banda em 140 caracteres. Quando for se inteirar sobre as últimas do Irã ou de Honduras, aproveite e dê uma passada lá.
Sem comentários »PORTNOY TÁ PRENHA
Acabou o primeiro semestre de um ano muito bom pra banda. Lançamento do disco de estréia, shows bem agitados em casas bacanas e algum espaço conquistado.
Tudo isso sem muita estrutura, sem selo, contando só com empolgação, suor e tesão de fazer música. E não tem retorno melhor do que encontrar alguém que faz questão de te parar e dizer que gostou do som.
O importante também foi se dar conta de que tudo isso não tem um fim, um alvo pra acertar. É o processo que dá prazer.
No meio do barulho, o mais legal foi ter aberto o LAB, um espaço no site da banda pra mostrar músicas novas, que acabam de ser feitas, mesmo que em gravações precárias de ensaios ou na casa de amigos.
Tem umas dez músicas lá. E umas outras dez na fila pra entrar. Com esse material, acho que já da pra falar num segundo disco do PORTNOY. Algo pro meio do ano que vem, afinal, uma gestação dura nove meses.
Haja energia (e bolso) pra tocar tudo de maneira independente. Mas não tem jeito. É preciso fazer alguma coisa com esse bando de música que vai surgindo, né não?
Sem comentários »PORTNOYA
O Brita, grande amigo, pegou o disco do PORTNOY, bateu no liquidificador e criou uma música nova. Vai aí a PORTNOYA
Sem comentários »HISTÓRIA SEM FIM
A morte de Michael Jackson tá pra música pop mais ou menos como a queda do Muro de Berlim tá pra geopolítica. São fatos simbólicos que obrigam as pessoas a pensar diferente.
O político que ainda raciocina a partir da lógica binária capitalismo X comunismo não tem futuro. O mesmo vale pros que lidam com música e ainda acreditam no pop monárquico, com rei, rainha, a corte e seus milhões de discos vendidos.
CAETANO ESTATAL
A primeira notícia foi: “MINISTÉRIO DA CULTURA VETA VERBA A CAETANO - Comissão que analisa projetos aspirantes ao benefício da Lei Rouanet diz que turnê do cantor, no valor de R$ 2 milhões, não precisa de incentivo; ministro deve derrubar decisão”.
A segunda foi uma entrevista de Juca Ferreira justificando a eventual liberação da grana, ops!, do incentivo pro Caetano. “Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação para irmã Dulce ou para Madre Teresa de Calcutá”, disse o bravo ministro.
As notícias acima saíram na semana passada. A Lei Rouanet, segundo o site do MinC, se propõe a “estimular a produção, a distribuição e o acesso aos produtos culturais”, incluído aí os “espetáculos musicais”, a “proteger e conservar o patrimônio histórico e artístico” e a “estimular a difusão da cultura brasileira e a diversidade regional e étnico-cultural”.
A grosso modo, o mecanismo permite que empresas escolham projetos culturais de seu interesse e coloquem ali o dinheiro que devem ao Estado em impostos. Ou seja, o meu, o seu, o nosso dinheiro. Como existe uma burocracia danada pra enquadrar um projeto na tal lei, os artistas com uma boa assessoria acabam levando vantagem sobre aqueles que não têm Floras e Paulas a serviço.
O resultado é que metade da verba captada vai para as mãos de 3% de beneficiados, a maioria deles das regiões Sul e Sudeste do país. Fica claro que parte do ínfimo orçamento da Cultura no Brasil é usada de acordo com interesses das empresas “patrocinadoras”. Em resumo, o Estado, que serve pra diminuir desigualdades, acaba aprofundando essas desigualdades e, pior, abre mão de promover uma política cultural, qualquer que seja. Há quem ache tudo isso muito justo, ok.
A Lei Rouanet está prestes a mudar. O Ministério da Cultura prepara um novo texto com duas alterações importantes. A primeira estabelece a quebra do direito autoral, a partir de um certo tempo, da obra beneficiada pela grana estatal. Ótimo. A segunda cria uma comissão com representantes de artistas, da sociedade e do governo para avaliar qual obra ou projeto receberá a grana. É aí que o bicho pega.
Alguns artistas acham que deixar a decisão de quem merece ou não a verba estatal na mão de um grupo de pessoas é mais ou menos como reeditar a censura. Já há uma comissão, essa aí que vetou a verba pro Caetano, mas ela é bem mais frouxa e não dá a palavra final, que é do ministro.
Fiquei imaginando a nova comissão discutindo se a turnê do Caetano, do CD recém-lançado “Zii e Zie”, merece ou não dinheiro do Estado. Vai aí uma provocaçãozinha pueril. Nossos personagens são o RG (representante do governo), o RS (representante da sociedade) e o RA (representante dos artistas):
RG: Vamos começar?
RS: O RA ainda não chegou…
RG: Acho que ele não vai ligar se a gente adiantar algumas coisas. Bem, “Zii e Zie’ é o nome do disco que o Caetano Veloso vai divulgar em turnê.
RS: Nome estranho…
RG: É italiano, se não me engano. Significa “tio e tia”. De cara, já acho um claro atentado à identidade nacional. Além disso, é elitista.
RS: Me parece meio educativo. Pelo menos pra mim: agora posso fazer média com meu tio-avô, o tio Totti, quando eu for visitá-lo na Mooca.
RG: Bem observado. Vamos exigir um asterisco com a tradução nos cartazes do show…
RS: Sei não…
RA: Boa tarde, gente, desculpe o atraso. Não é fácil achar um elevador vazio que suba direto até o último andar desta torre…
RG: A pergunta, meu caro, é a seguinte: você daria dois paus pro Caetano fazer shows pelo Brasil?
RA: Por que não? Esse cara é uma das bases da cultura nacional contemporânea!
RS: Mas o preço pra população não é meio alto demais? Meu tio Totti, que diz preferir dez vezes mais o Chico mas respeita as reboladas do Caetano, me falou que desistiu de ir ver o show porque o ingresso em um lugar bem meia-boca sai quase por cem mangos.
RA: Você tá sugerindo o quê? Que pra receber essa merreca do Estado vamos ter de criar cotas populares? Uma Bolsa-Caetano? Só me faltava essa! Quem é você pra estabelecer o valor de acesso a uma obra artística?
RS: Mas definir o preço do “acesso” não é a mesma coisa que definir o valor da obra…
RA: Que ultraje! Não diga besteira, meu rapaz…
RG: Olha, RA, vê se não vai me acabar de novo com a reunião gritando “censura”!
RA: Censura! Isso mesmo. Falou a palavra certa: é cen-su-ra!
RS: Mas o que é que tem a ver…
RG: Chega! Além do mais, já é horário de almoço. Vamos logo porque tô morto de fome e demora quase uma vida pra que esse maldito elevador chegue aqui em cima…
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